Friday, January 01, 2016

ORAÇÃO FEITA PARA UM ESPELHO


Lc 18:11-12

Graças te dou, a Ti, que estás desse lado
porque não sou como os outros, A minha ganância
é comedida,  A minha  justiça é de pedra
Não sou adúltero, A não ser comigo mesmo
e com a minha beleza,  Jejuo
para fazer compreender ao pobre que a fome
nos disciplina o corpo, Dou o dízimo de tudo
dos meus dez dedos, um
é teu e serve para apontar o erro alheio, Dos outros
não há ninguém que não seja publicano.

29-12-2015

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Monday, December 07, 2015

CARLA JÚLIA, A POESIA (DITA) EVANGÉLICA EM MAPUTO




3 POEMAS


Calvário

Vamos juntos
Subamos as escadas do vento
E deixemos os pés sobre as águas.
Vamos logo
Sobre a terra passar o teu cheiro
As tuas túnicas
deixemos às almas dos homens.

Tomé

Tive a voz presa
Em grilhões de dúvidas
Da cruz, o silêncio
Entrou em sintonia com a fé
Só me sobram estes olhos
Para crer nos cravos da Palavra.

As bodas

Diz-me oh espelho
Que vêem os teus olhos
Drenarei o meu corpo nestas saias?
Ou me lançarei nos braços
Do meu vestido de neve?


 ©  Carla Júlia, Maputo

Monday, November 23, 2015

MAGNIFICAT



A minha alma é a alma de mãe aflita, Senhor
O meu espírito derrama-se nos meus olhos
Na minha humildade nada posso fazer
Senão contemplar um Filho morto, seus braços
Perderam a força, e ainda assim derrubará
Dos tronos os poderosos, suas mãos presas
Nos cravos, hão-de encher ainda de bens os famintos
Mas todo o meu útero órfão estremece sem Ele
Pudesse eu, sua serva e mãe, a minha vida
Estaria no seu lugar.

22-10-2015

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Friday, October 09, 2015

O QUE DISSE UM DOS MALFEITORES






A caminho da morte não falou,  a sua boca
reservava-se ao silêncio divino,  dentro da alma
chorava talvez. Assim vi o melhor espírito de Israel
consumido pela dor
numa cruz, vestido do seu próprio sangue
atravessando  o coração do Pai.
Ao meu lado a arrastar a voz ferida
a deixar no ar palavras de perdão.
Digo
aquela cruz não era para um Deus, eu que sou
um malfeitor a quem  Ele deu uma rua de ouro
no Paraíso.

08-0-2015

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Monday, September 07, 2015

A MÃE




Os filhos não são um eu separado das mães
Com elas ao nosso lado nós tínhamos
Um útero, um cordão
De ouro invisível, com elas ao nosso lado
Sabíamos a origem das coisas, de onde viemos
Do seu ventre encanecido, com rugas brancas
Como os cabelos, com as mães ao nosso lado
Nós tínhamos uma certidão de nascimento.

05-09-2015
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Saturday, August 15, 2015

SALMO 150 PARA HARPA E ORQUESTRA






São os dedos que louvam, procuram entre as cordas
A linha que separa o céu e a terra, um fio
De água pura que sai do sopro das flautas.

Dai-me uma harpa doce e com ela sararei
Os ouvidos nas paredes do templo,
Um dulcimer cristalino

Que na subtileza do som é um castelo forte,
Para afastar os inimigos que minam a alma.
Dai-me o brilho dos olhos dos irmãos

Quando ungem os seus lábios num cântico.
Daí-me címbalos retumbantes
Com eles racharei os muros do silêncio.

29-05-2015
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