Sunday, June 21, 2015

"DEUS NÃO É CALVINISTA..."






DEUS não é calvinista, se fosse o Filho teria cometido um erro ao afirmar o que está escrito no Evangelho de João, 3,16.

Deus também não é arminiano, senão havia um erro na pregação de Paulo, no que escreveu aos Romanos, 3,23


Seja como for, o Arminianismo tal como o Calvinismo, Calvino e Armínio são muito tardios.

Deus já cá estava. ©







Friday, June 19, 2015

DEPOIS DA VIAGEM


(Murillo, "O regresso do Pródigo",  Sevilha, 1618-1682)




E, ao recebê-lo em casa, começaram as festas.
Os vestidos  retomaram a alegria das cores, há muito
Tempo tristes, um anel no dedo ilumina
As mãos escurecidas,  brilhantes sandálias
Preparam-se para caminhar
Nas nuvens,  o bezerro que estava a engordar
É a celebração, porque um filho chegou
Pelo caminho do regresso, ah o Pai
É a derradeira solução.

19-06-2015.
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Sunday, May 10, 2015

SHOAH




os faraós não o fizeram
os babilónios também não
queriam apenas que cantássemos canções
dos nossos pais, os judeus

teríamos um papel único na morte ocidental
os judeus iriam deixar de existir, gritavam
nas praças do ódio as multidões
no dorso dos cavalos das Valquírias

ficariam apenas os vestígios
dos nossos óculos cegos, dos cabelos
emaranhados de Medusa

e dos  sapatos como um monte de Sião
o nosso coração já não teria mais espaço
onde repousar  todos os mortos

10-05-2015

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Saturday, May 02, 2015

CRIME AMBIENTAL





 Anjos perdidos nas ruas das grandes cidades
Eles caminham para o fundo
Desembarcados dos barcos da fome
Com seus rostos, seus pés rotos, suas histórias
De uma cor apenas, seus braços
Enrugados com  veias expostas
À tempestade, suas unhas sujas
De procurar comida e alguns
Problemas nas ruas das grandes cidades
As frases que mais conhecem
Em qualquer língua, têm sempre um não.



13-03-2015

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Thursday, April 16, 2015

A MEDIDA





Não existe medida para o desespero...
Não existe maior ou menor,
Mais ou menos denso,
Mais ou menos acutilante.
Simplesmente, desespero...
Exalo o fôlego do último respirar
Que me adormece o corpo finalmente.
E quando inclino a minha cabeça,
Entrego nas Tuas mãos o meu ser.
Vejo toda uma obra consumada,
Todo um desespero esmagado,
O sufoco do pecado que os constrange foi desfeito!
Não doem mais os cravos, nem a coroa de espinhos me perturba.
Os risos de escárnio soam como as melodias do Céu,
Porque sei que esmagada está a víbora que me mordeu o calcanhar.
E o que lhes deixei, o que lhes deixo, o que lhes vou enviar,
Faço por causa do nosso amor por eles.
Não existe medida para o amor...
Não existe maior ou menor,
Mais ou menos denso,
Mais ou menos acutilante.
Simplesmente, ama-mo-los.

14/04/2015
© Ricardo Mendes Rosa


Thursday, April 02, 2015

DOIS POEMAS DO CICLO DA PAIXÃO









PILATOS DIRIGE-SE AOS JUDEUS - IV


Eis o homem
que chegou aqui pelo valor mais baixo
que às vezes tem o beijo, o da traição
Este que chegou a golpes de chicote pelo corpo
e pelas faces em silêncio que oferecia
às bofetadas. Este que chegou aqui 
pelo crime de ser Deus
com uma cruz difícil sobre as costas.

02-04-2015
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SALMO XXII NA CRUZ -III

“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”

Salmo 22, 1


Coroado de sangue sem nada neste mundo
nenhum lugar agora é meu, reino
ou casa chamada de oração, nenhuma Nazaré
que amei e não me amou, agora
nem este monte do Calvário me pertence
a Cruz é a minha pátria, deixo cair sobre mim
toda a Humanidade.

01-04-2015
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Thursday, March 26, 2015

HINO À LOUCURA


Poema de Ricardo Mendes Rosa


Vivemos a vida de pernas para o ar,
sem ânsia de comer, de beber ou gastar.
Confiamos no ganho da providência,
procuramos morrer todos os dias
e viver eternamente.
Não vivemos pela força, nem pela arma,
procuramos ser como ovelhas simples.
Damos a cara à mão, tanto para o afago,
como para a injúria que levantam contra nós.
Somos simples na maneira de viver,
prudentes e sinceros.
Não vivemos para nós mesmos, como
quem esculpe uma imagem e se auto adora nela.
O mundo não é a nossa casa, nem a carne a nossa roupa.
A morte não é a nossa prisão, nem a doença a nossa cela.
Vivemos a vida de pernas para o ar,
na ânsia de algo que há-de acontecer.
Vivemos a vida e morremos,
na certeza de que para nós, morrer é viver.


28/02/2015