Saturday, August 23, 2014

A CANÇÃO DE MARIA



"Magnificat anima mea Dominum"


A dor do meu corpo a crescer
será útil para o Senhor


como o dia que se derrama
no fio do horizonte
na púrpura
de um dia novo


a dor de um filho dentro
a crescer pelo meu corpo.


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Thursday, July 03, 2014

AS PALAVRAS NÃO SE ATIRAM COMO PEDRAS, INÉDITO


(Imagem da Web)




“Porque lhes dei as palavras que tu me deste.” 
(Evangelho S. João 17:8)



As palavras não se atiram como pedras
entregam-se em bom estado
como pão ao faminto 
e água ao sedento. As palavras são embriões 
de vida longa
clarões que iluminam a treva 
dos silêncios.



2/7/14 
© José Brissos-Lino

Tuesday, July 01, 2014

O QUE DISSE ISAQUE A REBECA QUANDO SE ENCONTRARAM




Minha irmã que possas dar vida a milhares de descendentes
Diria Isaque
quando subiram os seus olhos acima dos camelos
           
Refrescou seu sonho na cristalina água
dos olhos frescos de Rebeca, ambos
se abriram ao oiro da tarde

E descansou Isaque
o coração no regaço de Rebeca, no rosto
 adolescente do Amor tocou com suavidade.

16-05-2014

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Tuesday, June 24, 2014

POEMA UM ANO DEPOIS DA PARTIDA DE UM AMIGO



para o teólogo Pastor Alfredo Rosendo Machado


Um Homem e a sua Bíblia, portador
de águas vivas,  um cântaro nas mãos
com a sua camisa branca
confunde-se já com o horizonte, longe
a sua voz  ainda está nos nossos ouvidos
Foi forte como um irmão maior
entre os irmãos,  partiu por causa da ciência
ainda não descoberta da morte
morreu com vontade do Céu.

24-06-2014

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Friday, June 20, 2014

A COROA


(Annibale Carracci, óleo s/tela, 1585)



Repouso a minha cabeça para a coroa
de espinhos, ostentarei
o silêncio da flor envergonhada
com flechas no lugar das pétalas

Poderia no fim da vida
ter uma coroa que me amaciasse
a cabeça, mesmo que o reino fosse pesado
uma coroa limpa

Mas não, eu não poderia suportar uma coroa
que esmagasse em mim o meu amor
escarlate pelo mundo
para ter um reino na terra, se assim fosse
teríeis outras razões para a minha morte. 

20-06-2014

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Thursday, June 05, 2014

O MURO DE LAMENTAÇÕES

(Foto da Web: mulheres junto ao Muro)



É o som dos sapatos que se ouve
para não acordar os mortos, o silêncio
envolve os murmúrios
Os carros passam longe, noutra civilização
Mãos e orações trocam papéis com as pedras
as pedras conseguem há milénios
guardar tudo
o que diz o povo com a cabeça rente ao muro.

05-06-2014

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Tuesday, May 20, 2014

BANCOS VAZIOS



Em cada fila de bancos vazios, houve cultos
vazios
há histórias do passado, grandes momentos do coração
raramente
os bancos desabitados
ouvem certezas inabaláveis, muitas
palavras ditas ainda a  tempo.
Escondem-se nas cinzas os lumes antigos.

Em cada espaço que um corpo ocupou
há o lugar da solidão,  Deus vê
as lágrimas que caíram um dia
os olhos de Deus, que amam demoradamente
tocam os lugares, mesmo sem ninguém
procuram o homem.

20-05-2014
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